Resenha: Sonata em Punk Rock, @gutenberg_ed

04 novembro 2016
Sinopse: Por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de rock? Essa sempre foi a dúvida de Valentina Gontcharov. Entre o trabalho como gerente do mercado do bairro e as tarefas de casa, o sonho de viver de música estava, aos poucos, ficando em segundo plano. Até que, ao descobrir que tem ouvido absoluto e ser aceita na Academia Margareth Vilela, o conservatório de música mais famoso do país, a garota tem a chance de seguir uma nova vida na conhecida Cidade da Música, o lugar capaz de realizar todos os seus sonhos.No conservatório, Tim, como prefere ser chamada, terá que superar seus medos e inseguranças e provar a si mesma do que é capaz, mesmo que isso signifique dominar o tão assustador piano e abraçar de vez o seu lado de musicista clássica. Só que, para dificultar ainda mais as coisas, o arrogante e talentoso Kim cruza seu caminho de uma forma que é impossível ignorar.Em um universo completamente diferente do que estava acostumada, repleto de notas, arpejos, partituras, instrumentos e disciplina, Valentina irá mostrar ao certinho Kim que não é só ele que está precisando de um pouco de rock’n’roll, mas sim toda a Cidade da Música.

Olá pessoal, o livro de hoje é totalmente diferente daquilo que costumo ler, em partes obviamente porque afinal ele é um romance, e eu adoro e porque ele é inesperado, essa é a melhor definição para ele.
Às vezes, para assumir a regência de nossas vidas, precisamos trocar a partitura. Afinal, por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de Rock?
Valentina Gontcharov, que prefere ser chama de Tim, é uma menina pobre que acabou de ser aceita na mais prestigiosa e elitista escola de música do Brasil. Ela foi aceita e imediatamente seu pai, sumido e ausente, e prodigioso violinista, aparece e se dispõe a pagar pelo seu curso uma vez que ela sua mãe não tem condições para isso. Pois bem se o problema era o dinheiro para ir, acabou-se o problema vamos para a tal academia.

Chegando lá o choque cultural é brabo, mas me pareceu uma High School ao invés de faculdade sabe, os personagens estão na casa dos vinte e se comportam como se tivessem quinze ou dezesseis, não tira o mérito da história, mas é chato. Tim sempre foi fã de bandas de Rock e música clássica nunca fez parte da sua vida, apesar de entender plenamente isso, porque eu adoro música, mas clássica só se for obrigada a ouvir, alguém que quer viver de música que respira e ama isso precisa saber o mínimo, não gostei da abordagem da autora com relação a falta de interesse de Tim com a música clássica.
Valentina ficou nervosa. De repente, não sabia se iria se encaixar naquele lugar. Parecia exigente demais, certinho demais, disciplinado demais. Estava acostumada com o caos do punk rock, em ser impulsiva, em mostrar o que sente em forma de acordes de guitarra.
Depois de estabelecida, ela passa dois dias sozinha porque as pessoas simplesmente não chegam perto dela por que ela não exala dinheiro e status, até que consegue se juntar ao grupo de excluídos como ela e quem sabe assim fazer amigos. Mas no primeiro dia ela conheceu Kim, lindo, rico, e herdeiro da escola. Além disso ele é simplesmente o melhor pianista da escola e quiçá do mundo na sua idade. Mas o que ele tem de talento também sobra na sua personalidade esnobe e grosseira. Mas por trás dessa máscara existe um cara que sofre com distúrbios psicológicos e com a ausência de sua mãe.
Tinha passado a noite sonhando com um rosto que mal conseguia lembrar no dia seguinte. E preferia realmente não ter se lembrado de nada, assim poderia simplesmente ignorar e fingir que nada tinha acontecido. Não que isso fosse difícil. Ignorar e fingir eram suas especialidades
Pois bem o menino teoricamente sofre de TDAH e como tem muitos estímulos e ainda precisa bancar bad boy não consegue se concentrar e nem dormir, mesmo com a ajudo dos remédios. Isso sempre o atrapalhou a criar sua própria música, mas começa a mudar sempre que ele está perto de Tim, não que ele queira estar perto dela, não mesmo, mas eles têm o poder de se atraírem um para o outro e acabarem discutindo ou se desafiando... como diria minha mãe, quem desdenha quer comprar. As coisas começam a mudar quando ela precisa de ajuda para tocar piano, pois foi o instrumento clássico que ela escolheu e precisa passar na prova do instrumento e ela só pode recorrer ao prodígio da academia, mesmo que precise ameaçá-lo.

As interações entre eles dois são ao mesmo tempo engraçadas e furiosas, conseguimos pensar nele com empatia num minuto e no seguinte querer estrangulá-lo e da mesma forma Tim parece super descolada e bem resolvida, para no minuto seguinte ser o epítome da insegurança. Seus amigos também são um caso à parte, adorei o nome que eles escolherem para a banda que formaram, principalmente pelas referências musical e de série: Dexter. Se você não conhece nenhum dos dois está na hora de resolver isso.

Confesso que quando comecei a ler imaginei uma autobiografia da Babi, porque afinal loira e platinada ela é, e como sabemos, seu namorado Sung Ju No é coreano e graças aos céus não tem a personalidade do Kim, pelo menos que eu saiba rsrsrs.  Adorei as referências do livro, várias citações ao universo literário Nerd ou não (Star Wars, Star trek , HP, Mochileiro das Galáxias) e de quebra as citações musicais das bandas preferidas da Babi, incluindo o McFly.

O livro obviamente é destinado ao público jovem e com certeza atenderá plenamente o objetivo de encantá-los. Achei a estrutura da história boa, tem conflito meio adolescente, tem! Mas também temos superação, temos a mistura musical e cultural que para muitos pode ser utópica, mas eu pelo menos aqui, nessa história fofa nos mostra que é possível sim. Já quero o próximo porque sei que teremos tretas maiores e com certeza mais barreiras para nossa Tim ultrapassar.
Se ela sobrevivesse ao próximo minuto, poderia viver a vida inteira naquele único momento. Com muita música e rock’n’roll. Do jeito que deveria ser.
Quatro notas musicais, ao som das guitarras de Joan Jett para Sonata em Punk Rock.


Ficha Técnica:
Autor: Babi Dewet
Páginas: 300
Editora: Gutenberg
Ano: 2016

Até mais

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