Resenha: Dezesseis, @univdoslivros

16 junho 2017

Sinopse: Em um mundo em que todos são iguais, uma garota se destaca por sair do padrão. Uma história promissora e de ritmo acelerado, escrita por Rachel Vincent, autora best-seller do The New York Times.
“Nós temos cabelos castanhos. Olhos castanhos. Pele clara. Somos saudáveis, fortes e inteligentes. Mas só uma de nós já teve um segredo.”
Dahlia 16 vê seu rosto em toda multidão. Ela não tem nada de especial – é apenas uma entre as outras cinco mil garotas que foram criadas visando o bem da cidade. Ao conhecer Trigger 17, porém, tudo muda. Ele a considera interessante. Linda. Única. Isso significa que ele deve ser defeituoso.
Quando Dahlia não consegue parar de pensar nele – nem resistir a procurá-lo, ainda que isso signifique quebrar as regras – ela percebe que deve ser defeituosa também. Mas, se ela for defeituosa, todas as idênticas também são. E qualquer genoma com defeito descoberto deve ser recolhido. Destruído. Ser pega com Trigger não apenas selaria o destino de Dahlia, mas o das cinco mil garotas com o mesmo rosto. No entanto… e se Trigger estiver certo? E se Dahlia for mesmo diferente? Subitamente, a garota que sempre seguiu todas as regras começa a quebrá-las, uma a uma…

Olá pessoal, tudo certinho?! Eu já estava com saudade de uma boa Distopia, e a Universo me proporcionou isso. Recebemos o exemplar de Dezesseis em parceria com a editora para falarmos o que achamos, e eu estou aqui sentada há uns vinte minutos sem saber o que falar. Ah o motivo?? O livro é sensacional!!!

A última boa que li tem dois anos, e então estava sentindo falta disso, de ler e ver ali a crítica a sociedade vigente, mas que cabe perfeita a nossa, que cabe perfeitamente nas pessoas que somos e nos tornamos. Em Lakeview todas as pessoas são feitas baseadas no mesmo genoma. Cinco mil cópias de alguém como você trabalhando e lutando pela glória da cidade.

Cada clone de cinco mil pessoas, é treinado e preparado para sua atividade desde sua concepção, ou seja, você só pode ser aquilo que disseram que você deveria ser e nada mais nada menos. Todos esperam que cada um cumpra aquilo que foi determinado e nunca questionem, e o pior, isso funciona. Cada classe só confraterniza com sua própria, ninguém pode falar com os iguais de outra classe... Algo te lembra os dias atuais? Não né?? Sei... a única coisa que pode ser dito é o cumprimento padrão... Até  que ela se vê numa situação onde  quebrar a regra de não confraternização será uma necessidade...
Obrigada por seu serviço – digo quando as portas se fecham, porque isso é tudo que um trabalhador profissional tem permissão de dizer a um cadete ou soldado.Seu trabalho honra a todos nós – ele responde. Então aperta o botão T.
Então aqui conheceremos a história de Dahlia 16, uma agricultora hidropônica com outras 4.999 iguais a ela, mas ela percebe que tem algumas diferenças... Ela questiona o sistema, ela questiona as ordens, e questiona as limitações impostas aos agricultores que plantam mas não podem sequer comer uma fruta do pé. Mesmo que ela não externe seus questionamentos ela os faz constantemente. Mas Lakeview não tem espaço para questionadores... Ela sabe disso então se cala.

Até estar presa em elevador com um cadete, Trigger 17, e estar perto de um ataque de pânico, e aí o diferente, o impossível e o transgressor a salva. Mas ela sabe que aquela interação deve ser mantida em segredo, aquilo nunca poderá ser descoberto por ninguém, pois ela colocará em perigo suas iguais, suas irmãs.
Nós temos um segredo.
Durante toda a minha vida, nunca tive um segredo mais importante do que ter visto Iris 5 pegar uma bolacha a mais da bandeja de lanches no dormitório do primário.
Pois o segredo deles a deixa nervosa, a deixa completamente obcecada por ele. As confidências trocadas naquele elevador começam a ter consequências, quando ela determinada coisa em seu armário do quarto. Como ele conseguiu entrar ali? Como ele conseguiu contrabandear aquilo? Como ela queria vê-lo novamente e poder fazer tantas outras perguntas, mas isso não é tolerado na sociedade de Lakeview. Isso nunca mais acontecerá, até que Trigger faz com que aconteça e a deixa completamente perplexa. A proximidade deles não é só complicada ela é ilegal e vai leva-los a um caminho muito perigoso.
- Um caminho que faz você desejar infringir regras das quais a administração nem sabe que precisa ainda.
Pois bem, obviamente que num lugar vigiado o resultado só poderia eles serem pegos, mas o que vem a seguir é que nos faz ver como Dahlia 16, que tinha tudo para continuar sendo uma agricultora e, Trigger 17, que em menos de um ano seria um soldado formado, mostram como questionar a sociedade perfeita pode ser benéfico e ao mesmo tempo extremamente perigoso para eles e para os que os cercam, vemos o desenrolar de uma fuga conseguida através da arrogância que não faz com que um superior espere que alguém pense diferente daquilo com que foi programado a receber. O Renato Russo já disse isso há tempos: “Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurravam com os enlatados de USA de nove as seis.” Por conta disso eles quase conseguem mais uma vez, mas já estavam de olho neles.
Olho para ele num silêncio chocado. Ele está mesmo pedindo uma recompensa por ter conseguido uma sentença de morte para mim e milhares de idênticas minhas?
Daí se segue a situação mais louca de todas nesse livro, a sociedade eu eles tanto acreditam, a sociedade que é o pilar de todo o conhecimento e povoa toda a construção deles como indivíduos é uma grande mentira criada para enganar e simplesmente deixá-los de fora de todas as verdades que os mais abastados vivem. Gente simplesmente GENIAL!!! Passei o tempo todo lendo e fazendo comparações com a nossa sociedade que se vende e acredita em tudo que jogam nas mídias sem nenhuma pesquisa. EM nossa sociedade que julga e normatiza baseada em credos arcaicos que querem controlar as pessoas que pensam e agem de forma diferenciada.
Não entendo esse novo e estranho mundo no qual vim parar. [..]
À medida que olho para a sala, observando rosto após, atordoada com a variedade de feições e a falta de uniformidade de cor, roupa ou marca me dou conta da realidade desse estranho mundo.
Uma experiência cheia de reflexões e cheia de reconhecimento é o que te espera nesse livro. Uma sociedade Distópica que deveria ser diferente da nossa, afinal essa é inventada, mas nada aqui nos chama atenção por ser diferente, e sim por ser uma semelhança bizarra e grotesca de nossa sociedade dos dias de hoje. E preparem-se para o impacto do final.
E, antes que eu possa decidir o que fazer, minha atenção se volta para o tablet que ela ainda segura junto ao joelho direito. Na tela fico chocada ao ver meu próprio rosto.
Cinco estrelas e definitivamente uma das melhores distopias lidas na minha vida.
Ficha Técnica:
Autor: Rachel Vincent
Páginas: 240
Ano: 2017
Editora: Universo dos Livros
Skoob: Dezesseis

Até mais


2 comentários

  1. Oi Anastacia ♥
    Eu também estou há bastante tempo sem ler uma distopia, até por ter visto poucas reviews de livros como este. Amei demais a resenha e já quero ler pra ver se dar um up nas distopias!

    Beijinhoos!
    Paulinha C.
    naoleia.com

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  2. Oi Ana!
    Parece ser uma leitura de tirar o fôlego.
    Estou com ele na minha lista de futuras aquisições e pela sua resenha tenho certeza que não vou me arrepender.
    Adorei suas considerações!

    Beijos!

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