Resenha: A dama de papel, @univdoslivros

17 outubro 2017
Sinopse:
"Localizado na zona periférica de Londres em meados do século XIX, o bordel de Molly está sempre repleto de fregueses: ricos e pobres, magnatas e operários. O que nenhum deles sabe – nem mesmo as outras trabalhadoras do estabelecimento – é que a dona do prostíbulo optara por ser “mulher da vida fácil” após fugir de um casamento forçado, abrigando-se nas entranhas de um cortiço na busca indelével por liberdade.
Certa vez, no entanto, Molly é inebriada pelas propostas de um cliente: Charles O’Connor, o herdeiro de um império têxtil, deseja que ela seja somente sua. Molly, arrebatada pelas sensações provocadas pelo novo amante, se vê obrigada a questionar o modo de vida que conduzira com orgulho até então, além de testar os limites da liberdade obtida a duras penas.
Entregues à avassaladora paixão e à incrível química sexual que os unem, Molly e Charles precisarão enfrentar as represálias sociais e a moral conservadora da época para dar continuidade a este amor proibido. Mas terão de pagar um preço alto por suas decisões."

Quando iniciei a leitura de A dama de papel, imaginava que iria me deparar com um romance de época onde a dama se apaixona pelo cavalheiro mais inapropriado, ledo engano.

Descobri um romance proibido, situado na Era Vitoriana, onde Melinda Scott Williams, uma mulher que nasceu sentindo que deveria ser livre, ter seus direitos e vontades respeitados resolve fugir da casa de seus pais para evitar o casamento arranjado com o velho Albie.

Se casar com um homem sem ter amor, ver roubado de seu corpo desejos que não são seus e ser uma mulher submissa não é algo que lhe encaixa, por isso ela se vê entre casebre e cortiços, no meio das ruas podres e pobres de Londres, onde magnatas e operários só se encontra em um recinto, em seu Bordel.

No bordel onde ela fora acolhida quando fugiu de sua casa, onde foi batizada de Molly, lá ela encontrou sua liberdade dando a si mesma o prazer que o sexo podia proporcionar, mesmo sendo por umas míseras moedas, mesmo vivendo em situação precária, não trocaria sua nova vida pelo seu passado, ali ela era livre.

A fama de Molly aumentava a cada dia, responsável pelo Bordel, cuidava para que as moças que com ela moravam e trabalhavam fossem bem cuidadas e que seus clientes sempre saíssem satisfeitos, com seu nome entre magnatas e operários a curiosidade de homens bem casados apenas aumentavam e entre eles estava Charles O’Connor que por mera curiosidade bateu a sua porta.

Charles não pode acreditar que uma prostituta seja tão fabulosa como lhe foi dito por isso propõe a Molly que se ela for realmente o que dizem lhe pagaria o dobro do que habitualmente ela cobraria, o que ele não esperava é que fosse repetir aquela visita muitas vezes mais.

Molly via algo em Charles que o diferia de outros clientes, ela gostava de estar com ele, lhe dava grande satisfação e prazer, via-se esperando o momento para vê-lo e com isto começou a questionar suas decisões.

Charles não conseguia estender com aquela mulher o havia enfeitiçado, a muito não tinha uma relação assim com sua esposa Katherine, e quando estava em casa com ela e seus filhos via-se pensando em Molly e com isso passou a escrever textos que descreviam seus sentimentos no ato de amor deles. Quando não estava a pensar em Molly estavam a discutir com seu pai o futuro das empresas da família e em reuniões de amigos um tanto enfadonhas a que se via obrigado a participar, mas assim que podia escapava para os braços de Molly.

Como a fama era muita e o boca a boca aumentava, Molly mesmo vivendo em uma nuvem de encantamento com seu caso com Charles se viu diante de seu maior pesadelo Albie, o homem de quem fugiu, o homem que a fez morar no inferno para que não fosse lhe tomada sua liberdade.

Diante dos acontecimentos, Charles decide propor a Molly que largue aquela vida, que viva apenas para ele, e isso gera conflitos internos profundos em Molly ela se sente apaixonada como nunca esteve, mas e sua liberdade? Aquela por quem sempre lutou? O que decidir, viver afinal um amor proibido que não lhe pertence ou colher as consequências do destino que escolheu?

Ficará Molly com o homem que lhes escreve poesia, ressaltando o que há de melhor nela, escritos esses que voam pelas ruas sujas de Londres permitindo á todos que conheçam um pouco do que A dama de papel pode provocar.

Uma história sensual, cativante, cheia de fatos que te fazem querer um pouco mais da história de Molly e Charles, reviravoltas bem desenvolvidas e um final surpreendente, Catarina Muniz apresenta um romance diferenciado que nos leva a refletir acerca do poder feminino, na nossa liberdade que já nos foi roubada e que com o passar dos séculos conseguimos conquistar, me levou a pensar em quantas Mollys não existiram realmente, e o que elas escolheriam afinal, a liberdade ou o amor? No caso de Molly você pode descobrir.

“Molly nunca acreditara que a sua tinha sido uma escolha fácil. Saiu de casa acreditando estar preparada para enfrentar o que de pior o mundo pudesse lhe oferecer. Porém, somente naquele momento parecia entender que aquilo que já é íngreme pode também tornar-se escorregadio. ”

Uma leitura cativante que vale a pena conhecer, quatro notas musicais para Uma dama de papel.



Um grande beijo e até mais.

Ficha Técnica
Autor: Catarina Muniz
Ano: 2015
Páginas: 256
Editora: Universo dos Livros

Um comentário

  1. Menina sou louca para ler esse livro!! Já namoro ele faz um tempo, mas agora ele entrou na minha lista de vez! Resenha maravilhosa! Me deixou muito curiosa!!!

    Beijinhos da Paty ;)

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