Resenha: Minha Lady Jane, @editoragutenberg

01 dezembro 2017
Sinopse: “Toda história tem sempre duas versões…
Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora
Aos 16 anos, Jane está em um relacionamento muito sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho que (ninguém lembrou de contar para ela) tem um talento muito especial: a habilidade de se transformar em cavalo. E, pior ainda, descobre que está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra!
Arrastada para o centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se… bem, se não quiser literalmente perder a cabeça.
Um rei relutante, uma rainha-relâmpago ainda mais relutante e um nobre (e) garanhão puro-sangue que não se conformam com o destino que lhes foi reservado; uma história apaixonante, envolvente, cativante, sedutora… e mais uma porção de sinônimos que só Lady Jane seria capaz de listar. Tudo com uma leve semelhança com os fatos históricos.
…afinal, às vezes a História precisa de uma mãozinha.”

Sem dúvidas, a melhor coisa na vida de um leitor é se deparar com um livro ao qual ele se apaixone do início ao fim (tenho tido essa sorte ♥).

Como descrever Minha Lady Jane? É uma comédia romântica sobrenatural de época, com um fundinho histórico. 😅😅 Deu um nó aí? Rsrsrs
Escrito por não uma, mas três autoras, a história é apaixonante e engraçada... Imagine você, descobrir na noite de núpcias que seu marido se transforma em cavalo assim que o sol nasce. Pois é, sei o que você está me perguntando nesse exato momento. “😱😱Como assim, Si?” Segura o queixo aí e vem comigo que eu te conto.

“Você pode achar que conhece esta história. Ela é mais ou menos assim: era uma vez uma mocinha de 16 anos chamada Jane Grey, que se viu forçada a se casar com um completo estranho (Lorde Guildford, ou talvez Gilford ou Gifford ou qualquer coisa assim), e, pouco tempo depois, se descobriu como governante de um país. Ela foi rainha por nove dias. E então, literalmente, perdeu a cabeça. Sim, é uma tragédia, se você considerar que a separação entre uma cabeça e um corpo é algo trágico. (Somos meras narradoras aqui, e não é nossa intenção fazer presunções a respeito do que o leitor consideraria trágico.)”

E assim começa essa história (Sério mesmo, esse é o primeiro parágrafo do prólogo 😅), as autoras já me ganharam desde o começo com esse jeitinho engraçado e fofo de conversar com os leitores, com tiradas inteligentes e divertidas que deixam você morrendo de curiosidade.
Com um fundinho histórico (até certo ponto,  é claro), as autoras brincam misturando realidade e fantasia. Daí você me pergunta: “Mas tem fantasia no meio de um romance de época, Si?”. Siiiiiiiiim!!! E foi o fator decisivo pra tornar este livro mais um dos meus favoritos “4ever” ♥.

“Isso nos leva a uma tarde crucial na corte real inglesa, quando o Rei Henrique VIII, durante um ataque de raiva, transformou-se em um enorme leão e devorou o bobo da corte, para delírio da plateia.”

No universo de Minha Lady Jane, algumas pessoas nasceram agraciadas com um dom ou, dependendo do ponto de vista, uma maldição. Os e∂ianos, tem o poder de transitar entre a forma humana e a forma animal, como nosso mocinho Gifford (noivo da nossa querida e inteligente lady devoradora de livros), que passa os dias comendo capim e galopando como um belo garanhão... (não ria, poderia ser o seu noivo). Mas como nem tudo são flores, os e∂ianos são obrigados a se esconder, pois os Verdádicos (os puritanos mal humorados, como eu prefiro chamar), que comandam quase tudo, perseguiram e mataram muitos (e quando digo muitos você pode pensar em algo próximo à extermínio) e∂ianos. 

“Naquela mesma noite, o rei, depois de voltar à forma humana, decretou que os e∂ianos não eram assim tão ruins, e dali por diante deveriam desfrutar dos mesmos direitos e privilégios dos verdádicos. A decisão de sancionar a magia ancestral repercutiu por toda a Europa. O líder da Igreja Verdádica não ficou nada satisfeito com a decisão do Rei Henrique, mas, a cada vez que Roma enviava uma missiva condenando o decreto real, o rei-leão comia o mensageiro. Vem daí a expressão “não coma o mensageiro”.

Com isso o rei conseguiu ao menos amenizar as mortes em massa. Mas essa história não é sobre esse rei. A história é contada em terceira pessoa, intercalando os acontecimentos em volta de 3 personagens: Lady Jane, Gifford e Eduardo.
Eduardo herdou o trono ainda na adolescência, mas as coisas não estão nada bem pro lado dele. Ele está morrendo e ainda nem deu seu primeiro beijo.
Lady Jane é prima e melhor amiga do rei Eduardo. Sonha tanto em ser uma e∂iana, que já leu tantos livros quantos pode encontrar sobre o assunto (e vamos deixar claro, ela é praticamente uma traça literária) e junto com Eduardo testou diversas táticas. Casamento era a última das suas escolhas.
Gifford (mas pode chamar de Ge, ele odeia o nome de batismo) passa os dias como cavalo. Segundo ele, é a maldição do cavalo (a Jane discorda, mas é questão de ponto de vista): de dia, cavalo, de noite, homem. Durante o dia, corre livremente pelos campos e come feno; durante a noite, some para suas “escapadelas”.

“— Creio — Dudley começou a falar suavemente —, que devemos conversar sobre o que vamos fazer.
— Fazer? É a Moléstia . É incurável. Não tem mais nada que eu possa fazer a não ser morrer, pelo jeito.”


Já digo que odiei esse Dudley desde o primeiro momento. Ele, muito ardiloso, induz o rei a deixar o trono para o primogênito de sua prima Jane, que obviamente teria de se casar para isso, e é claro que o mequetrefe pensou em tudo, sugerindo que ela se casasse com seu filho mais novo, Gifford. Eduardo, conhecendo muito bem sua prima, sabe que ela não vai gostar nadinha desse novo arranjo, pois odeia política, e casamento está fora de seus planos. Mas, diante da situação, ele não vê outra alternativa.
A partir desse ponto começam as tramas. Você já deve imaginar que onde tem muito dinheiro e poder, tem traição.
Jane mal se casa e logo se torna a rainha da Inglaterra. Sua vida vira de cabeça pra baixo e seu coração é posto à prova.
E isso não é nem a metade do que te aguarda. Que tal mergulhar de cabeça nas páginas de Minha Lady Jane e se aventurar nesse misto de romance, tramas e magia? Só então você vai entender como este se tornou um dos melhores livros que li em 2017 😉 e mais um dos meus favoritos.
Tá esperando o que pra deixar essa história te surpreender?


Ficha técnica:
Autoras: Cynthia Hand,
Jodi Meadows e
Brodi Ashton
Editora: Gutenberg
Ano: 2017
Páginas: 368


Um comentário

  1. Parabéns pela resenha Si, bem detalhada. História bem diferente de tudo o que já li; fiquei no mínimo curiosa!

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