Resenha: Um Beijo à Meia-Noite, @editoraarqueiro

03 janeiro 2018
Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo. Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo. Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo. Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.

Eloisa James faz releituras de contos de fadas. O primeiro livro é uma releitura de A Bela e a Fera (se chama Quando a Bela Domou a Fera), ainda não lido por mim, e o segundo é este, que é uma releitura de Cinderela.

Eu adoro contos de fadas e adorei a versão de Cinderela que a Julia Quinn fez em Um Perfeito Cavalheiro (a história de Benedict). Por isso, me interessei em ler Um Beijo à Meia-Noite. Se você me perguntasse agora se gostei do livro, eu vou dizer que sim. Se o recomendo a você, a resposta também será afirmativa. Acontece que não darei a nota máxima a ele e logo mais vou dizer o motivo.

Kate é a nossa Cinderela. Seu pai faleceu e ela ficou na casa, junto com a madrasta e sua filha, exercendo todas as funções possíveis, já que a madrasta dispensou quase todos os criados. Kate já passou da idade de se casar (para os padrões da época), mas não tem esperanças porque ela não sai de casa, e também porque não possui dote (todo o dinheiro de seu pai foi tomado pela madrasta como dote de sua filha).


Só que a vida de Kate está prestes a mudar, como você já sabe. Victoria, a filha de sua madrasta, é noiva do sobrinho do príncipe e eles precisarão passar alguns dias no castelo, incluindo um baile, para ver se o príncipe aprova a união. Como Victoria foi mordida no lábio por um de seus cachorros e sua aparência não está nada boa, Kate é obrigada a se passar por sua irmã (leia para entender). 

Então você está me pedindo para visitar o príncipe e fingir que sou Victoria - disse Kate. 
- Não estou pedindo! - esbravejou Mariana no mesmo instante. - Estou ordenando.
Assim, Kate acompanha Algie até o castelo e conhece o príncipe, que se chama Gabriel. Ele está noivo de uma princesa russa, que ainda nem a conhece, já que o casamento foi arranjado pela família. Gabriel tem um castelo para comandar, com parentes e animais para sustentar e várias despesas que demandam uma mansão deste tipo. Então, ele não pode sequer pensar em se casar com outra pessoa, muito menos uma que não seja de família real.

Só que é claro que o destino vai conspirar contra e Kate e Gabriel vão se apaixonar, como no conto de fadas original. Em Um Beijo à Meia-Noite teremos direito a uma fada madrinha pra lá de moderna, com apelido masculino (Henry); sapatinhos de cristal; fugas à meia-noite, enfim, as principais cenas do clássico.

Contudo, o que me fez não dar a nota máxima foi que há uma sensualidade muito maior nesta releitura. Alerta de possível spoiler!: o príncipe seduz Kate, que se deixa seduzir, entregando-se a ele enquanto vivem um amor impossível. É bem parecido com um romance de época de Julia Quinn, em várias partes. Não é algo inocente e mágico, como se espera em um conto de fadas. Não que isso seja algo ruim, porque foi para mim, mas pode não ser para você, só que é algo que eu não esperava, mesmo em uma releitura. Único ponto negativo.

O pai de Kate também não é aquele santo que estamos acostumados nas outras histórias. Sua imagem até será um pouco reparada no decorrer do livro, mas ficará imaculada mesmo assim. Mas nada que incomode muito, quis apenas mencionar aqui (risos).

Mas vamos voltar ao romance proibido de Kate e Gabriel e chega de divagar. Como disse, é um romance proibido, e por diversos motivos.

Ela não lhe pertencia. Não podia lhe pertencer. A dura verdade percorreu seu sangue como a chuva gelada que Dante descreveu no inferno. Kate não podia ser sua porque ele tinha aquele maldito castelo para sustentar. E por isso ele tinha que levar seu belo traseiro lá para baixo e conhecer Tatiana, a mulher adornada com rublos russos. 

Você sabe que no conto original, a Cinderela e o príncipe viveram felizes para sempre. Como disse várias vezes aqui, Um Beijo à Meia-Noite é uma releitura, então possui mudanças. Será que Kate e Gabriel conseguirão resolver as suas diferenças e se acertar? De que forma virá (e se virá) o seu felizes para sempre?


Ficha técnica:
Autor: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 320

Semana que vem voltarei. Até mais! 

Um comentário

  1. Hum, fiquei ainda mais curiosa, embora espere que a crítica quanto à sensualidade não seja uma evidência de que o livro é apenas um hot. Amei a sinopse, mas confesso que quando a história envereda muito por esse caminho mais explícito, tira um pouco da magia pra mim. Mas quero ler, até pra conferir se é mesmo o que pensei. Tá na lista já. Ah, parabéns pela resenha, ficou bem completa e deu um panorama maior sobre o que vamos encontrar aqui.

    ResponderExcluir