Resenha: A Última Carta de Amor, @intrinseca

28 fevereiro 2018

Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. Novamente em casa, com o marido, ela tenta sem sucesso recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos à sua volta pareçam atenciosos e amáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por “B”, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante. Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido — em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado —, Ellie começa a procurar por “B”, e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez encontre uma solução para os problemas de seu próprio relacionamento. Com personagens realísticos complexos e uma trama bem-elaborada, A última carta de amor entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda de Ellie e Jennifer. Um livro comovente e irremediavelmente romântico.

Eu havia lido apenas dois (três) livros de Jojo até então: Como Eu Era Antes de Você e sua continuação Depois de Você, e Um Mais Um. Os dois primeiros são supertristes, tendo o primeiro como campeão das lágrimas de muitos por aí, mas o segundo é repleto de humor e conseguiu redimir a autora comigo (não aceitei o final daquele livro). Para desempatar tristezas e alegrias, A Última Carta de Amor.

Este fica como um meio termo, mas mais para tristezas. Isto não é um spoiler, antes que você pense o contrário. Como um livro com o título A Última Carta de Amor poderia ser de humor? Ele é lindíssimo, fiquei por um bom tempo querendo conhecer apenas a história de Jennifer e B. (ela é intercalada com o presente, a história de Eliie e John), mas depois de um tempo não sabia mais o que queria, porque a história de Ellie também é superinteressante. 

Jennifer perdeu a memória (putz, mais um livro sobre esse assunto, está ficando recorrente demais!). Ela principalmente se esquece de que tinha um amante, denominado, até então, de B. Sabe dele por cartas que ela vai achando em meio aos seus objetos, todas endereçadas a ela e cheias de amor. É muito lindo, mas triste. Percebe-se que este não é (foi) um relacionamento feliz, especialmente porque Jenny é casada. Estamos em 1960, atente-se, e divorciar-se ou fugir com seu amante é algo escandaloso, imoral.

Estarei na plataforma 4, Paddington, às 19h15, sexta-feira à noite...

A história de Jennifer e B. é descoberta por Ellie quarenta anos depois, uma jornalista que precisa agradar sua chefa para manter seu emprego. Só que ela não imaginava as surpresas que sua pesquisa iria trazer, nem as reviravoltas em sua vida (e na de outras pessoas). Os prazos são curtos, é preciso saber até onde ir para conseguir sua reportagem, e resolver sua vida pessoal bastante desastrosa. 

Jennifer e Ellie tem algo em comum: ambas estão num relacionamento a três, porque Ellie é amante de um homem casado, vivendo de migalhas do seu tempo livre, quando ele consegue arrumar algumas horas para ela. São duas histórias que precisam de um final feliz, que está cada vez mais longe de acontecer.

Será que todo amor que não é simples e direto tem que ter um fim trágico? 

Ah, Nanda, não vai me dizer que este livro tem final triste! Bom, lembre-se de que estou resenhando um livro de Jojo Moyes, a autora que fez o que fez com Will e Lou. Mas não vou dizer mais, porque meu intuito não é contar o final, e sim despertar seu interesse por esta leitura, que muito recomendo. O livro em si é triste, como você já percebeu, mas isso talvez não se concretize no desfecho. Temos duas incríveis histórias, com um final bem a contento para ambas as partes. Leia e entenda do que estou falando!

Ficha técnica:
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 384

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