Resenha: A Mulher na Janela, @editoraarqueiro

17 março 2018
Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

Hello pessoal, tudo certinho?? Hoje vamos bater um papinho sobre um livro arrebatador. Um thriller de tirar o fôlego, cheio de reviravoltas e surpresas que vão garantirão uma leitura daquelas. Então se preparem para mergulhar na câmera de Anna e descobrir os segredos de seus vizinhos, e em contrapartida os dela. Ah, e pode ler tranquilamente, não tem Spoilers.
“Faz quatro dias que vi Jane Russel pela primeira vez. Certamente ela não tem as medidas da Jane original, com seus peitões e cinturinha de pilão, mas eu também não tenho.”
Anna sofre de agorafobia e não sai de casa por um longo período. Sua vida se limita a filmes antigos e bisbilhotar a vizinhança a través de sua câmera. Esses são seus passatempos preferidos. Até que chega a noite e ela conversa com seu marido e filha que não moram mais com ela. Afinal a criança precisa de um ambiente mais sadio.

Ela também frequenta um site na internet para pessoas com distúrbios e ali ela consegue exercer um pouquinho de sua profissão, e colocar em prática um pouco do que seu próprio terapeuta a incentiva: a se conectar com as pessoas de alguma forma. E nessa conexão, que ela acaba criando um grave problema para si mesma.
“Os agorafóbicos costumam ter crises de ansiedade ao acordar. Portanto, não me surpreendo quando deparo com o congestionamento de hoje.”
Apesar de estar bem debilitada, Anna é inteligente e perspicaz, e muito observadora, já que passa horas a fio fazendo somente isso. E numa dessas observações ela acaba por conhecer os novos vizinhos. Um casal com uma vida perfeitinha demais que acaba por chamar sua atenção, exatamente por isso. Ela fica intrigada com aquilo. E é nessa casa que ela acredita ver um crime acontecer. Mas só ela viu. Só ela fala sobre isso. Só ela afirma a existência desse crime.
“Até que o pânico assoma dentro do peito, uma espécie de maré que vai subindo até cobrir meus olhos, até afogar a voz do Dr. Fielding. Depois disso... Bem, melhor nem pensar.”
Teria tudo para ser uma testemunha crível, não fosse seu hábito de beber exageradamente, não a ponto de cair, mas de se sentir devidamente entorpecida e soma-se a isso todos os psicotrópicos que ela precisava tomar, mas que não o fazia de forma recomendada. Apesar da sua incapacidade de agir socialmente ela consegue ajuda para ligar para a polícia e aí começa todo o seu tormento.

Imagina você ter sua vida revirada do avesso, ter seus segredos mais profundos expostos ao mundo e jogados em sua cara sem dó nem piedade, de forma que você seja desacreditada e aliada a isso sua própria incerteza do que pode ou não ter visto. E é por essa e outras situações que viramos página atrás de página e lemos cem capítulos como se fossem cem.

Como uma escrita fluida e cativante, A.J. Finn nos faz querer desvendar e quem sabe acreditar em que Anna afirma ter visto. Mas quanto mais descobrimos seus segredos fica mais difícil de acreditar e confiar nela. Por mais que ela afirme que sabe o que viu, o leitor começa a duvidar até mesmo de sua capacidade de leitura.
“E, se eu espero voltar ao mundo um dia, a hora é agora. Agora que o sol ferve lá no alto. Agora que estou perfeitamente lúcida.”
Um livro intrigante e ao mesmo tempo estimulante, com uma história cheia de referências a excelentes filmes e até a livros mais contemporâneos, que te faz analisar cada ação da protagonista e que te obriga a ser menos julgador e mais observador, que te faz achar que todo mundo é capaz de qualquer coisa, inclusive a Anna, e que ao fim nos deixa completamente chocados. Se prepare para observa também e tire suas próprias conclusões.

Cinco notas musicais e com certeza a partir de agora observarei melhor a vizinhança.

Ficha Técnica:
Autor: A. J. Finn
Páginas: 352
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Até mais


Um comentário

  1. Esse livro com certeza é incrível, pois estão fazendo propaganda dele até na tv do meu trabalho.
    OBS.
    Achei o clube do livro incrível.

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