Resenha: Uma proposta e nada mais, @editoraarqueiro

21 março 2018
Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor. Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa. Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Eu nunca havia lido um livro de Mary Balogh e sempre achei que começaria por seus bem conhecidos Os Bedwyns. Porém, desde antes do lançamento de Uma proposta e nada mais, suas expectativas no mundo literário eram altas, então eu não pude deixar de lê-lo, quando surgiu a oportunidade.

SUPERAÇÃO. Esta é a palavra que resume este romance. Afinal, Trentham faz parte do Clube dos Sobreviventes, um grupo de seis homens e uma mulher, que sofreram traumas com a guerra - físicos e principalmente psicológicos. Gwen não faz parte do Clube, pelo menos não oficialmente, mas ela também tem a sua cota de sofrimentos do passado, relativos ao seu antigo casamento (ela é viúva e perdeu um filho ainda na gestação). 



Então, quando um incidente na praia coloca Gwen e Trentham juntos, eles não se rendem imediatamente à atração que sentem. Se você acompanha minhas resenhas, sabe que odeio personagens orgulhosos, que ficam se alfinetando e dizendo não ao amor, mesmo quando estão apaixonados. Mas este livro é uma exceção.

É uma exceção porque o casal de protagonistas sofreu muito no passado, então não é fácil seguir em frente. Suas sequelas emocionais são sérias, eles são pessoas maduras, experientes da vida, e não sabem se serão bons companheiros, por conta de sua bagagem. É algo completamente aceitável.

Além disso, nossos protagonistas são de classes sociais diferentes. Hugo é rico, mas vive no campo porque gosta, cuidando de tudo junto com os criados. Ele até é um lorde, mas seu título foi comprado por conta de sua participação heroica na guerra. Pelo contrário, Gwendoline mora em Londres e adora viver suntuosamente nos eventos da temporada. E é por conta desses tais eventos que talvez Trentham e Gwen se unirão. Por causa da irmã dele, que está em idade de se casar. 

Uma proposta e nada mais é um romance que também nos traz personagens divertidos e extremamente sinceros. Lady Muir, nossa Gwen, é manca, e seu pretendente o tempo todo a lembra disso. Em outra situação, ele não a contradiz, quando ela se denomina um rato afogado.

A única coisa que ela lhe dissera ao vê-lo era que parecia um rato afogado. E ele, o cavalheiro educado e sofisticado, concordara. Poderia ter acrescentado que ela era linda em qualquer circunstância, mas não o fizera. 
Separei mais alguns trechos para você, que achei interessantes. Esse: 

A vida era feita de escolhas, e cada uma delas, mesmo as mais insignificantes, faziam diferença na trajetória da pessoa.

E mais esse: 

Todos nós precisamos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional. Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. 
O ponto alto do romance poderá ser um convite de Trentham a Gwen, para que ela venha até o mundo dele, para descobrir que amar e desejar não são o bastante. Será? 

Ficha técnica:
Autor: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 272

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