Resenha: O jardim esquecido

20 setembro 2018
Uma criança abandonada, um antigo livro mágico, um jardim secreto, uma família aristocrática, um amor negado. Em mais uma obra-prima, Kate Morton cria uma história fantástica que nos conduz por um labirinto de memórias e encantamento, como um verdadeiro conto de fadas. Dez anos após um trágico acidente, Cassandra sofre um novo baque com a morte de sua querida avó, Nell. Triste e solitária, ela tem a sensação de que perdeu tudo o que considerava importante. Mas o inesperado testamento deixado pela avó provoca outra reviravolta, desafiando tudo o que pensava que sabia sobre si mesma e sua família. Ao herdar uma misteriosa casa na Inglaterra, um chalé no penhasco rodeado por um jardim abandonado, Cassandra percebe que Nell guardava uma série de segredos e fica intrigada sobre o passado da avó. Enchendo-se de coragem, ela decide viajar à Inglaterra em busca de respostas. Suas únicas pistas são uma maleta antiga e um livro de contos de fadas escrito por Eliza Makepeace, autora vitoriana que desapareceu no início do século XX. Mal sabe Cassandra que, nesse processo, vai descobrir uma nova vida para ela própria.

Escolhi este livro porque gostei de A Casa do Lago, escrito pela mesma autora. Contudo, para mim ele não começou bem. Até quase a metade do livro achei a leitura bem arrastada, e os capítulos se alternam entre presente e passado, mas o passado de vários personagens. Nós temos capítulos sobre Rose, Eliza, Hugh, Nell, Cassandra...então muitas vezes eu me confundia, não sabia de quem Kate Morton estava falando. 

Contudo, deste ponto em diante, foi um divisor de águas. E um divisor bem positivo! Quanto mais chegava ao final, mais eu queria ler e descobrir o que acontecia. E quando eu achava que o mistério tinha sido desvendando, mais situações surgiam. Foi assim até o fim. Eu queria resenhar para vocês ontem, meu dia padrão de postagem, mas ainda faltavam algumas páginas. Achava que já era mais do que suficiente para resenhar, mas ainda bem que deixei para hoje, com os agradecimentos a Naná, porque o pouco que ainda faltava foi mais fantástico, de me deixar boquiaberta.



Em alguns momentos eu achei o romance de Kate Morton parecido com os de Lucinda Riley, uma das minhas autoras favoritas, porque a busca pelas origens dos personagens é recorrente em seus livros, assim como os capítulos alternados entre presente e passado, e também pela beleza das capas. Kate me agradou com essa similaridade, mas o romance dela é repleto de mistério, nos instigando a descobrir mais e mais, então ela tem ainda um bônus. 

Vou citar para vocês um trecho importante, de quando Cassandra estava tentando desenrolar o passado da avó:

Quanta coisa aquele rio tinha visto: inúmeras vidas passadas ao longo de suas margens, incontáveis mortes. E era deste rio que um navio havia partido, tantos anos antes, com a pequena Nell a bordo, levando-a para longe de tudo o que lhe era familiar, rumo a um futuro incerto. Um futuro que agora era passado, uma vida que tinha terminado. E, no entanto, isso ainda importava, importara para Nell e importava para Cassandra. Este quebra-cabeça era sua herança. Mais do que isso, era sua responsabilidade. 

Dói meu coração imaginar Nell sozinha, com quatro anos, naquele navio, sozinha. E isso que eu nem sabia de muitas coisas que soube mais tarde, com a leitura do livro. É muito pior!

Outro trecho, esse bem do final do livro, sobre o segredo do jardim. Lá do finalzinho, uma esperança de final feliz, mas com uma ponta de melancolia por uma querida personagem: 

Era como se, com a descoberta, o jardim tivesse dado um grande suspiro de alívio: os pássaros estavam mais silenciosos, as folhas haviam parado de roçar umas nas outras, a estranha inquietação desaparecera. O velho segredo que o jardim tinha sido obrigado a guardar fora revelado.

Foi revelado, mas nas últimas páginas, depois que achei que já poderia escrever para vocês. Realmente Kate deixou isso para o último minuto! Aliás, para o último minuto não, já que neste ficou a esperança de uma nova vida para Cassandra:

Viera para a Cornualha conhecer o passado de Nell, de sua família e, de algum modo, encontrar seu próprio futuro. Ali - naquele lindo jardim que Eliza havia construído e que Nell recuperara - Cassandra tinha se encontrado.

No Skoob avaliei este livro com quatro estrelas porque não é possível acrescentar nota parcial, mas aqui posso avaliá-lo como ele merece. Só não dou cinco notas musicais completas por conta do começo, mas ele é fantástico e recomendo que você o leia.

                                                                      

Ficha técnica:
Autor: Kate Morton
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 496

2 comentários

  1. Adorei a resenha, mas preciso confessar que histórias com alternância entre passado e presente não costumam entrar na minha lista de leitura, acho extremamente cansativo acompanhar e frequentemente me perco na história. Esse livro em especial tinha me chamado atenção por causa da capa, que achei belíssima. Ainda não li o outro livro dela, então não tenho como formar uma opinião sobre o estilo da autora, mas lendo aqui sua resenha posso dizer que fiquei no mínimo curiosa em conhecer esse enredo. Vou salvar na minha lista, para ler em momento oportuno. Parabéns pela resenha, achei bem esclarecedora.

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  2. Você deve ter percebido que nos livros da Lucinda a alternância é bem grande, então é difícil confundir. Nesse, era a cada capítulo, com personagens diferentes, mas depois de um tempo a gente entende tudo. Vale a pena ler, mas já fique preparada para uma leitura um pouco arrastada no começo até a metade hehe

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