Resenha: A Voz do Arqueiro

11 outubro 2018

Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor. Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

Várias amigas minhas já haviam elogiado bastante este livro, mas ele nunca ficou entre minhas opções de leitura porque sou relutante a livros com gostosões na capa. Porém, fiquei sem alternativa quando ele foi a leitura da vez do meu grupo literário, mas fiquei ansiosa para lê-lo por saber que era um drama, e não um romance hot, que não curto. Depois da experiência extremamente agradável de Mar da Tranquilidade, comecei a gostar de dramas, desde que não sejam muito pesados.

Bree e Archer são dois sobreviventes, com muita bagagem emocional. Ela, por não conseguir suportar a vida na cidade onde o pai foi covardemente assassinado, fugiu para uma pequena cidade do litoral, justamente onde Archer sempre morou. Seus pais e seu tio também foram assassinados de forma covarde, quando ele ainda era uma criança, e o incidente causou sequelas em sua garganta: ele não fala.



O primeiro encontro dos dois acontece no primeiro dia de Bree à cidade, no estacionamento do supermercado. Seria uma cena cômica, se a vida de ambos não fosse baseada em tragédias.

Abri a bolsa, que era grande, e estava jogando lá dentro o xampu e o condicionador que eu comprara. Nesse momento, vi em minha visão periférica que alguém parava ao meu lado. Me assustei e olhei para cima no momento em que um homem se abaixava, apoiava o joelho no asfalto e me entregava um frasco de Advil que, ao que parecia, havia rolado bem na sua frente.

Bree, todas as manhãs, há seis meses, sofre com as lembranças do dia do assalto e do assassinato. Archer, todos os dias, sofre com o isolamento causado por ele mesmo e acatado pela sociedade, que acha mais fácil ignorá-lo. Porém, a moça fica cada vez  mais interessada nele, e vai na contramão dos outros. Ela, aos poucos, vai se tornando amiga de Archer.

Eles estabeleceram uma comunicação confortável entre si, na maioria das vezes por linguagem de sinais, já que o pai de Bree era surdo, então ela conhecia os símbolos muito bem, mas muitas vezes apenas a companhia um do outro bastava. Eles se tornaram inseparáveis, mesmo que por acaso.

Caminhamos ao longo da margem por algum tempo, em um silêncio tranquilo. Quanto mais tempo passávamos juntos, mesmo sem falar, mais confortável eu me sentia com ele. Eu percebia que Archer também se sentia cada vez mais à vontade perto de mim.

Acontece que nada é tão simples quanto parece, e se você pensa que um final feliz está perto, se enganou. Pessoas se incomodarão com a relação do casal, e segredos escabrosos virão à tona. Para completar, estes mesmos indivíduos grotescos vão influenciar o ingênuo Archer, para destruir sua vida pacata e gostosa com Bree. 

Como eu disse antes, A Voz do Arqueiro é um drama, e se você espera final feliz, talvez o tenha apenas no final do livro. Antes, teremos muitas complicações, sentimentos de culpa, separações, revelações e muitas lágrimas. É um romance lindo, de superação diária, e eu recomendo o livro, apesar de não pensar em ler os outros da série. 

Ficha técnica:
Autor: Mia Sheridan
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Páginas: 336

2 comentários

  1. Essa história é maravilhosa; quase todos os livros que li em que um dos personagens não fala foram carregados de emoção. Archer é um cara incrível, torci muito para que ele tivesse um final feliz, depois de tudo o que passou. Foi lindo de ver a forma como ele e Bree se aproximam e se ajudam nas suas dificuldades. É tão raro um livro onde o homem é o mais frágil, inocente; acho que isso foi uma das coisas que chamou atenção na história. Gostei demais, já até bateu vontade de reler.

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    1. Verdade, Fer, é raro ver um protagonista inocente, mas é lindo, com certeza é o que chama a atenção para a história. Ainda mais que engana a gente, por ele ser o cara sem camisa e cheio de músculos da capa. Adorei, foi uma surpresa muito agradável.

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