Resenha: A Marca de uma Lágrima

07 março 2019


Pedro Bandeira apresenta a confusa vida de Isabel: seu grande amor está namorando com sua melhor amiga. Como se não bastasse, a diretora da sua escola é assassinada, e ela é a única testemunha. Será que Isabel conseguirá acalmar seu coração e seu medo?

Li A Marca de uma Lágrima na escola, ainda na infância. Lembro que foi um livro que mexeu demais comigo, acredito que até tenha chorado junto com a protagonista. Portanto, quando surgiu a oportunidade, novamente me rendi às graças do romance infantojuvenil de Pedro Bandeira.

Isabel é uma garota adolescente, cheia de espinhas e um pouco acima do peso. Como nós naquela época, não se aceitava como era e tinha problemas com sua autoestima. Tudo tende a mudar, um dia, quando sua mãe diz que ela foi convidada para o aniversário de seu primo Cristiano, que era novo na cidade e iria frequentar sua escola na semana seguinte.




Isabel mal se lembra do primo e não está com vontade de ir na festa, mas ela vai por causa da mãe. Porém, para não ir sozinha, convida sua melhor amiga para ir com ela. Assim, uma  faz companhia para a outra na suposta festa chata, do suposto primo chato. 

A festa é enorme, cheia de barulho e diversão, e Cristiano é um gato. E o melhor, aparentemente ele gosta de Isabel. Parece que não, mas, após algumas bebidas, a moça acredita ser beijada pelo primo, no jardim.

Mesmo colado a ela, Cristiano não entendeu o sussurro. E, como se fosse um confeiteiro colocando uma cereja como um toque final de gênio sobre a torta mais apetitosa, o rapaz beijou o rosto de Isabel com força, fazendo estalar os lábios. 

As luzes, as cores e o sangue de Isabel misturaram-se numa vertigem gostosa, e o ímpeto da menina foi fechar os olhos e colocar-se na pontinha dos pés, oferecendo os lábios a Cristiano.

Outro menino, de nome Fernando, conhece Isabel na festa e fica doido por ela, mas a moça só quer saber do primo. Fernando se esforça para ficar com ela, mas ela está fora de si por Cristiano, e mesmo que não queira, irá ajudá-lo, por conta de uma promessa. Aliás, essa promessa vai colocar Isabel em uma enrascada, mesmo que suas intenções sejam as melhores possíveis. Tudo por conta de seu dom de escrita, de suas boas notas em Português.

A vida de Isabel já estava uma loucura, mas ela não contava que seria testemunha do assassinato da diretora. Na verdade, não bem uma testemunha, porque ela não presenciou o ato, mas foi uma das pessoas que encontraram o corpo da senhora, sem vida, na sala da diretoria. 

A enorme mesa de trabalho, antiga e esculpida a mão por algum artista esquecido há muito tempo, estava coberta de papéis. Contendo-se para não gritar de dor por causa do apertão de Brucutu, Isabel foi empurrada à frente, em direção à mesa. Por isso, ela foi a primeira a encontrar o cadáver de dona Albertina.

Pense como não ficou a vida de nossa protagonista! Tadinha, adolescente já é cheio de dramas, ela está sofrendo por amor, e ainda presencia um corpo na escola! Tudo leva a crer que foi suicídio, mas Isabel suspeita que haja algo a mais por trás disso. E ela tem razão, quando é ameaçada.

Um aviso, mocinha: tem gente que acha que viu coisas. Mas, vai ver, não viu nada, só quer causar confusão. E essa confusão pode prejudicar pessoas. Não é isso que você quer, é? Claro que não quer... Senão, o causador da confusão pode ficar muito mais prejudicado ainda, sabe? Pode até deixar de ver qualquer coisa... para sempre! Juízo... estou só avisando... Juízo! Senão...

A parte do suposto assassinato possui reviravoltas, e achei bem interessante. A parte do romance achei clichê, e adivinhei o que estava acontecendo, com bastante antecedência. Mas, quem não gosta de um bom clichê?

Li A Marca de uma Lágrima em um dia, um domingo, e foi uma releitura super gostosa. Recomendo para todas as idades, por ser uma leitura leve e envolvente, que nos remete à nossa adolescência e os "amores" da época.

                                                                
Ficha técnica: 
Autor: Pedro Bandeira
Editora: Moderna
Ano: 1994
Páginas: 176

Semana que vem, eu voltarei com uma dica de romance de época nacional. Não perca! 


4 comentários

  1. Oi Fernanda! Me senti super nostálgica com sua resenha, pois apesar de não ter lido esse, li outros livros do autor na adolescência e tenho certeza de que choraria com Isabel, seus dramas e problemas de autoestima. Também curto os clichês desse tipo e fiquei curiosa com dois pontos: a tal promessa de Isabel e como se resolveu o caso do suposto assassinato! Beijos!

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    1. Eu AMEI Os Karas! Talvez até ainda mais do que este, foram realmente meus companheiros de infância, o Pedro é fera nesse quesito. Vale a pena a leitura, é uma delícia!

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  2. Oi Nanda! Li tantos livros na época de escola e sempre que posso também releio alguns. Este, admito não conhecer, mas mesmo sendo mais antigo ele me pareceu (através da sua resenha) ter uma abordagem tão atual ao tratar de problemas de autoestima e dramas adolescentes. A trama me deixou curiosa, beijos!

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    1. Adolescente dramático é atemporal, né? kkkkk
      É um livro interessante, recomendo a leitura quando você quiser se lembrar dos tempos de escola. Beijos!

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