Joker - Eu assisti

20 outubro 2019
Olá pessoas, tudo certinho?!? Queria fazer um post pequeno sobre Joker, mas é impossível falar pouco sobre esse filme, então tem um post grande... na realidade imenso sobre ele, confira.

"O que você consegue quando você cruza um doente mental solitário com uma sociedade que abandona ele e o trata como lixo?" E com esse questionamento começaremos o post e espero que você me acompanhe e não me deixe no vácuo. 

Logo no início do filme, somos brindados com aquela cena tosca de alguns adolescentes roubando a placa do palhaço, Arthur Fleck, por diversão. E logo em seguida atacá-lo e agredi-lo pela mesma satisfação pessoal.

Tenho visto muitas pessoas da minha geração,  que são os pais dos adolescentes e dos quase adultos de hoje, colocando a culpa da violência e da falta de empatia dos jovens de um modo geral, na internet, acessível em qualquer mãozinha por aí.  Basta dar dois toques na tela dos seus iPhones e o mundo está ali, a sua frente. Acredito que a Internet viabiliza muita coisa, incluindo violência,  obviamente. Mas, me lembro de um índio incendiado em 1997 aqui no Rio de Janeiro, por pura satisfação de um grupinho adolescente, filhos de pais influentes, e naquele tempo os Smartphones de hoje faziam parte somente do nosso imaginário e do "De Volta para o Futuro".

Mas prosseguindo sobre o filme,  o início já veio para chocar mesmo, depois da agressão acompanhamos uma sessão de terapia de Arthur, e para o bem ou para o mal, eu tenho amigas psicólogas e sabemos que aquele tipo de atendimento é real e oficial. Como em qualquer profissão, existe aquele que o faz por prazer e vocação,  e aqui não estou falando de trabalhar de graça, não! Nem relógio trabalha de graça,  mas estou falando do ser humano incapaz de exercer aquela função,  seja pelo motivo que for. Ele fala que "sua vida fazia mais sentido no manicômio" e ele ja está tomando 07, ATENÇÃO, 07 medicamentos e a terapeuta não vê nada de errado. Não faz nada, nem ouvi-lo como ele deixa bem claro.

Mas nada disso é mais chocante, mais intrigante, que duas situações que me chamaram muito a atenção exatamente por serem muito próximas de qualquer um de nós, falando hipoteticamente é claro. Primeira,  aquele amigo que quer te ajudar. Aquele que nunca moveu um dedo nem nada por você, mas de repente está todo solícito e cheio de boas intenções, e quando o dito favor não dá certo, faz o quê??? Banca o louco e nem assume que fez ou disse o que você afirma.


Segundo, como temos por hábito falar daquilo que não conhecemos todos os fatos. Thomas Wayne (não é a toa que não gosto do filho, tá no DNA ser babaca) dando a entrevista falando de 03 pessoas cruéis, abusivas e definitivamente sem escrúpulos como se fossem ótimas pessoas, só porque faziam parte da família "Wayne Entreprise". Nunca vi analogia melhor com a nossa sociedade julgadora e com a política de extermínio da distopia Rio de Janeiro, onde atirar primeiro e perguntar depois virou palavra de ordem. NÃO ESTOU DEFENDENDO BANDIDO, estou defendendo o direito da população favelada, majoritariamente negra, de poder ir e vir sem se preocupar em ser encontrada por uma bala.

Mas voltemos ao filme! Os policiais desdenhando da doença dele é o retrato da nossa sociedade que não reconhece e não respeita as doenças mentais... sim, são doenças como qualquer outro mal físico. Vocês aceitando ou não!!! Com Deus ou não!!! O filme é uma critica sensacional a nós, sim NÓS!! Eu e você e toda a sociedade. O nível da doença do cara o faz acreditar que ele tem aquilo que sonha, independente se isso é algo ou alguém. A necessidade da felicidade imposta a todos nós cobra um preço maior dele, uma vez que sua mãe sente a necessidade de chamá-lo de Feliz. E nenhuma das pessoas em seu entorno veem isso. Todos o maltratam, todos desdenham dele. E se você não entendeu o beijo e a declaração feita ao Gary, o anão que também era palhaço na empresa da qual ele foi despedido, você realmente precisa ver o filme novamente.

Nada desse filme é aleatório, nada está ali simplesmente para nos chocar, tudo está devidamente descrito para te fazer questionar a sua posição e sua contribuição para a sociedade. Não adianta ser Thomas Wayne se você julga as pessoas baseado em sua experiência de vida como verdade absoluta, não adianta estar numa posição privilegiada se seu privilégio só te serve para julgar e menosprezar. Seja fazendo isso com relação a status social, seja fazendo isso diminuindo a dor do outro. Pois como bem disse Arthur "Ninguém pensa como é estar no lugar da outra pessoa".


Apesar desse não ser um filme sobre heróis e vilões,  cabe uma ressalva de minha parte sobre a questão: assassinato da família Wayne. Fiquei feliz em ver que, todas as vezes em que o Coringa disse que não teve nada com isso, ele não esteve mentindo. Mesmo que suas ações tenham sido a causadora do mal, ele não foi o executor. Pelo menos não nessa versão e eu vou preferir acreditar nela.

Sei que me estendi, sei que me excedi, mas esse é o efeito do filme. Espero que ele seja de alguma forma o início de discussões mais sérias sobre essa necessidade de felicidade eterna e essa ausência de empatia da nossa sociedade. Espero. Porque a esperança é a última que morre. Lembrando que, a classificação indicativa do filme é 18 anos mamães e papais e e essa classificação não é leviana. E sim, se Oscar não for do Joaquim Phoenix, eu desisto de vez dessa premiação.

Até mais!

2 comentários

  1. Adorei o seu texto e já desisti de ver o filme em duas situações. Acredito sim que o filme é muito mais reflexivo do que para entretenimento, espero que alcance o seu objetivo e preciso mais do que nunca assisti-lo. Sim! Concordo quando você diz que os pais culpam a internet. A negligência é uma realidade e a exclusão dos "diferentes" é algo cruel.

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    1. Exato Flavinha. Está todo mundo se eximindo de suas responsabilidades seja como pais ou como sociedade. E sempre com um dedo em riste para julgar aquilo de desconhecem.

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