Resenha: Entre Quatro Paredes

10 outubro 2019

Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.

A sinopse quase contou o segredo, mas tudo bem. Este livro foi um dos melhores que li em 2019, um suspense leve, que deixa a gente muito curioso para saber como tudo vai terminar. E não é em romance, disso você pode ter certeza. Afinal, o casamento perfeito é a mentira perfeita, como disse a sinopse, então a cada página lida você fica sem fôlego.

Grace possui uma irmã portadora de Síndrome de Down. Ela é quase adulta, mas mora em um internato até completar dezoito anos, tendo uma cuidadora individual. E faltando pouco tempo para a maioridade, ela provavelmente vai morar com a irmã, já que os pais moram em outro país, longe das filhas e das responsabilidades da maternidade. 

Porém, a solução perfeita aparece quando Grace se casa com Jack, o marido perfeito, a quem elas conheceram juntas no parque. Jack pede Grace em casamento após pouquíssimo tempo de namoro, e diz que sua irmã irá morar com eles. Que eles passarão a ser todos uma família, e tudo será maravilhoso. 

Só que nada na vida dos dois é verdadeiro. Como informa a sinopse, Grace não abre a porta quando a campainha toca, e também não atende o telefone da casa. A verdade é mais dura do que você imagina, e não será nada bom para Millie se ela for morar com eles. Na verdade, sua vida correrá risco se isso acontecer. 

Não vou revelar muito, mas preciso contar um pouco mais do que a sinopse, e você pode achar spoiler. Então, se não quer saber mais, peço que pare de ler a resenha aqui e parta para a avaliação máxima, não tinha como ser outra. Pensei em parar por aqui, mas preciso continuar, é importante para a história.

Grace sofre relacionamento abusivo. Ela vive trancada em um quarto com o mínimo de objetos, e come e bebe somente quando Jack oferece. E ela aceita a condição sem se rebelar porque ele a pune, sempre deixando-a sem ver a irmã. 

Ele é meu vigia, meu guardião, meu carcereiro. Não posso ir a lugar nenhum sem que ele esteja ao meu lado, nem mesmo ao banheiro de um restaurante. Jack acha que se ele me perdesse de vista por dois ou três segundos, eu usaria essa oportunidade para avisar a alguém sobre as condições em que vivo, pedir ajuda, escapar. Mas eu não faria isso, agora não mais, não sem ter cem por cento de certeza de que acreditariam em mim, porque eu preciso pensar em Millie. É por ela que eu não grito por ajuda na rua ou num restaurante.

É irônico que essas atitudes venham de um defensor de mulheres que sofreram agressão, um dos melhores; então, é o caso perfeito. Quem vai desconfiar dele? E cada vez a violência em Grace fica pior, assim como as punições, por nada. E o dia de Millie ir morar com eles está se aproximando. 

Você poderia procurar ajuda, Jack, eu sei que sim! Ele ri da minha explosão de emoções. - O problema é que eu não quero ajuda. Gosto de quem eu sou. Na verdade, gosto muito. E vou gostar ainda mais daqui a setenta e cinco dias, quando Millie vier morar com a gente. 

Jack é um dos piores personagens literários que eu conheci, dos mais perversos. Ele sente prazer com o sofrimento, com a dor, e isso nos enoja muito. Então, a leitura não será fácil, mas eu recomendo muito porque é eletrizante e o final vale muito a pena. A solução é incrível, e vem de quem a gente certamente não espera. Leia!

Ficha técnica:
Autor: B. A. Paris
Editora: Record
Ano: 2017
Páginas: 266

Quinta-feira eu volto com mais resenhas. Não perca! 

4 comentários

  1. Esse livro está em ninha estante há tempos. Confesso que não esperava um suspense com detalhes tão dramáticos, nem um personagem tão perverso, mas sua resenha aguçou a minha curiosidade para ler o quanto antes. Por eu ter convivência com uma pessoa com síndrome de down, acredito que será uma leitura ainda mais difícil, mas quero arriscar. Beijos

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    1. Pelo título eu pensei que fosse um romance hot, não me atraí kkkkk mas realmente faz sentido com tudo o que a protagonista passa, e as partes onde a Millie pode sofrer são ainda mais agoniantes. Beijos.

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  2. Realmente é uma ótima leitura,instigante, te faz ansiar pelo próximo capítulo e para um final feliz para a protagonista.

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