Resenha: Os Catadores de Conchas

28 maio 2020
Os Catadores de Conchas conta a vida de Penelope: mulher parecida com milhares de outras mulheres. Penelope Keeling é filha de um pintor vitoriano idoso e de uma jovem francesa liberal e independente. E é exatamente a sua vida tão comum e igual a de qualquer mulher que torna este romance tão atraente. Com altos e baixos, Penelope, foi feliz por ter sido uma filha amada, e infeliz por ter se casado com o homem errado. Encontrou mais tarde o verdadeiro amor, mas as tragédias e problemas ocasionados por esse encontro deixaram marcas profundas. Teve três filhos, cada um com seu mundo estruturado, intransponível, com suas desilusões e alegrias. É nesse universo que o leitor vai penetrar, envolvendo-se com uma mulher vigorosa, firme e bela. Ao longo de 600 páginas, o mundo de Penelope arrebatará o leitor de tal maneira, que será impossível não se envolver com o destino da família Keeling.

Hoje é meu aniversário. Por esse motivo, escolhi resenhar Os Catadores de Conchas, um dos melhores livros que li na minha vida. Eu o li há alguns anos, emprestado da biblioteca onde trabalhava, mas resolvi tê-lo no Kindle e também um exemplar físico vindo de troca no Skoob, porque realmente amo este livro. Livrão, aliás! 

Você o encontrará com duas capas: a que li anteriormente é essa abaixo, e agora eu tenho o exemplar da foto acima. 



Na primeira vez que o li, devorei 123 páginas sem sequer levantar os olhos do romance, em um dia de reforma na casa da minha sogra, em um lugar repleto de pessoas. Consegui me concentrar a tal ponto porque o livro é realmente bom! Agora vou falar sobre ele, mas é bem como a sinopse falou. 



Penelope Kelling é a filha do falecido pintor famoso da Cornualha, Laurence Stern. Suas obras são raríssimas, então valem muito. A filha tem três em casa: duas mais simples e uma enorme, chamada Os Catadores de Conchas, onde inclusive ela está retratada em criança. 

Ela não pretende se desfazer da obra de forma alguma, porque é uma lembrança de seu pai. Porém, seus filhos gananciosos, especialmente Noel e Nancy, não pensam assim e tentam de todo modo convencer a mãe a vender suas telas, pois podem valer uma fortuna. Dinheiro esse que Penelope não quer ganhar. Aliás, não precisa. 

Passaria todo o sábado simplesmente bisbilhotando, verificando o conteúdo de cada caixa, cada cômoda antiga e desconjuntada. O verdadeiro trabalho pesado, o de arrastar e de carregar, o de empilhar velharias debaixo dos dois estreitos lances de escada, podia ser tranquilamente deixado para o dia seguinte, para o novo jardineiro funcionando como operário, enquanto ele nada mais penoso teria de fazer, além de dar ordens. Se tivesse êxito em sua vistoria e encontrasse o que procurava... um, dois ou talvez um maior número dos rústicos esboços a óleo de Laurence Stern... então agiria com toda calma. isto aqui talvez fosse interessante, diria para sua mãe e, dependendo da reação dela, seguiria em frente. 

As 632 páginas são divididas em capítulos nomeados com personagens do livro. Temos Nancy, Noel, Cosmo, Antonia, Olivia, Danus, Sofia, Richard, , Roy, Laurence. Todos eles serão retratados no livro, e é uma delícia acompanhar suas histórias. 

Aliás, me lembrou bastante de uma autora que amo, Lucinda Riley, porque o livro alterna entre passado e presente. Hoje, Penelope é uma senhora muito respeitável, uma viúva que mora sozinha. Antes, foi filha de Laurence e Sofia, apaixonada por um homem e casada com outro, sofrendo em meio à guerra. Foram perdas que nos fizeram triste, mas que fortaleceram Penelope.

Temos uma protagonista forte e destemida, que sabe o que quer e não vai se deixar vencer pelos filhos. O destino vai conspirando e trazendo a ela excelentes companhias de onde menos se espera, e tudo vai se desenrolando para que o melhor aconteça. 

Por que ela não deveria desperdiçar o dinheiro? Afinal, é dela, não? E por que não deveria gastá-lo consigo mesma e dois jovens que aprecia? Como falei, ela pediu a todos nós que a acompanhássemos, porém nenhum aceitou o convite. Tivemos nossa chance e a rejeitamos. Só podemos culpar a nós mesmos. 

Apenas um porém: tem uma morte que me chocou e me deixou bastante triste. Eu não me lembrava disso, mas fiquei feliz que houve tempo para tudo se resolver e deixar um lindo futuro para quem merece. Continua sendo favorito da vida, mesmo após a releitura e em meio a uma pandemia que me tirou a concentração. Leia, leia, leia! 

Ficha técnica:
Autor: Rosamunde Pilcher
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2003
Páginas: 632

Semana que vem eu farei uma resenha do lançamento de Julia Quinn. Quer saber a minha opinião sobre o romance que fecha Os Bevelstokes? Não perca! 

Nenhum comentário

Postar um comentário