Resenha: Que Seja Doce

16 julho 2020
Cinco anos após a fatídica noite que fez o futuro arquitetado de Robin ruir, ela tenta sobreviver em meio a dificuldades, cuidando sozinha de seu filho, Bernardo, e trabalhando em um emprego que odeia, após abandonar o sonho de abrir a própria doceria. 
Decidida de que não há espaço e nem tempo para paixões em sua vida, a confeiteira faz de tudo para não ser notada, mas o acaso se encarrega de dar a Robin uma transferência no emprego, que a leva para outra cidade. Para outra pessoa. Dominic é apaixonado por palavras e vê nelas, sejam faladas, escritas ou cantadas, uma chance de mudar vidas. Com a carreira de psicólogo em ascensão, ele está de volta à sua cidade natal e deseja apenas um colega para dividir o aluguel. Uma confusão com os nomes desses dois e voilà: temos a receita perfeita para cenas hilárias, fortes emoções, um romance com cheirinho de chocolate e potência para aquecer os forninhos.

A capa desse livro é linda, e o título remete ao meu programa de culinária preferido. Por esses motivos, a vontade de lê-lo foi tamanha que assinei o Kindle Unlimited apenas para ter acesso a ele. 

Agora vou falar o que achei sobre Que Seja Doce, com muito respeito e humildade, sem menosprezar uma autora nacional que escreve bem, mas fornecendo a minha opinião sincera sobre ele.


Acho que faltou verossimilhança em diversas partes do texto. Sei que é uma história, uma ficção, mas algumas coisas ficaram descabidas no enredo e me desanimaram um pouco (até me revoltaram). Sim, eu sou chata demais, reconheço, mas acho que isso tira um pouco do encanto pela obra. Por exemplo:

Robin (personagem feminina) está de mudança para Lagos, com seu filho de quatro anos. Dominic (protagonista masculino) também. Por esse motivo, uma amiga em comum dos dois passa o contato de Dominic para Robin, para que se conheçam e façam amizade, mas a moça acha que Dom é mulher e que Mari passou o contato para que elas dividam o apartamento. 

Se Robin é tão desconfiada como se mostrou no livro todo, como ela pode confiar tão cegamente em Mari a ponto de seguir rumo a Lagos apenas após algumas conversas por bate-papo com Dominic? 

Boa noite, Dominic. Uma amiga em comum me passou seu contato. Parece que está procurando alguém com quem dividir o aluguel em Lagos... É isso mesmo? 

Outro exemplo: Robin é confeiteira por profissão, apesar de não exercer, e uma noite por semana ela faz a noite da sobremesa. Após Dominic sugerir uma noite temática de chocolate com morango, a doceira faz diversos doces em poucas horas, algo impossível para alguém que trabalhou o dia todo, tem um filho de quatro anos e ainda fez lasanha para o jantar. Levaria pelo menos uns dois dias para aprontar tudo. 

Também achei um pouco irritante quando um faz pirraça com o outro, para que o colega de apartamento deixe o local. São situações que eu até entendi pelo andamento do livro, mas ninguém aceitaria uma criança assistindo Galinha Pintadinha no último volume até altas horas sem fazer nada, até porque os outros moradores reclamariam, se Dominic não fizesse isso. 

Fora esses episódios, o livro é um clichê leve e fofo, de aquecer o coração, tanto que eu queria abandonar, mas não conseguia, e acabei lendo rapidinho em poucos dias. 

Dom se mostra um cavalheiro completo, um homem que não mede esforços para realizar os sonhos de quem ele ama. E Robin, apesar de ser relutante muitas vezes, acaba dando uma chance para o amor. Há perdão também em um caso que eu jamais poderia ter imaginado, e a história como um todo é bem bonitinha.

Obrigada por ser a corda que usei para deixar o poço. Obrigada por ser esse homem com o qual nunca sonhei, porque não sabia que pudesse existir, a não ser em sonhos. 

Se eu recomendo Que Seja Doce? Sim, com certeza. Até porque você provavelmente não vai ser tão chato como eu e vai relevar de boa essas situações que mencionei acima. Sara Fidelis escreveu um livro ideal para a gente esquecer os problemas por algumas horas, e que mostra que o amor constrói e vence, como deve ser. 

                                                                            
Ficha técnica:
Autor: Sara Fidelis
Editora: Amazon
Ano: 2020
Páginas: 430

Semana que vem, como sempre, estarei aqui com nova resenha. Até lá! 

2 comentários

  1. Gostei da sinopse e da resenha, acho super importante dar a opinião sincera. No fundo, quem quiser ler vai ler de qualquer jeito, até pra tirar suas próprias conclusões. Sou da opinião de que uma resenha negativa não vai impedir alguem de ler; muito pelo contrário, talvez até chame mais atenção ainda para o livro, pois a gente fica curiosa pra saber o que vai achar da história. Comigo pelo menos acontece bastante, já li diversos livros depois de ler comentários não tão positivos sobre ele. O importante é cada um fazer a sua experiência literária.

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    1. Sim, e eu espero que a autora não fique chateada comigo, porque eu li o livro em poucos dias, praticamente devorei. É uma história boa, com alguns pontos a melhorar, mas eu recomendo. Resenha com pontos negativos é resenha verdadeira, e é isso que eu sou.

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